










|
|

|
|



















As vêzes a tristeza, a mágoa e a saudade é tão grande, que acabamos
abandonando muitas coisas pela metade.
assim foi também com o meu Blog, há um
tempo enorme estou longe daqui, e por isso peço desculpas mais uma
vez.
Espero de agora em diante estar sempre por aqui e voltar a visitar
outros Blogs amigos.
Aos amigos que me presentearam com seus awards, peço
paciência pois vou colocá-los todos aqui,e, desde já o meu muito obrigada.
***
BRUXA SOLITÁRIA
Rae Beth
Que eu seja como algo
que tece o pano na floresta, profundamente escondida. Que eu possa fazer o meu
trabalho sem interrupção.
Que eu seja uma exilada, se é este o sacrifício.
Que eu conheça a procissão sazonada do meu espírito e do meu
corpo, e possa celebrar os quartos em cruz, solstícios e equinócios.
Que
cada Lua Cheia me encontre a olhar para cima, nas árvores desenhadas no céu
luminoso. Que eu possa acariciar flores selvagens, cobri-las com as mãos.
Que eu possa libertá-las, sem apanhar nenhuma, para viver em
abundância. Que meus amigos sejam da espécie que ama o silêncio.
Que sejamos
inocentes e despretensiosos.
Que eu seja capaz de gratidão.
Que eu saiba ter recebido a alegria, como o leite materno.
Que eu saiba isso como o meu cão, nos ossos e no sangue.
Que eu fale a
verdade sobre a alegria e a dor, em canções que soem como aroma do alecrim, como
todo dia e na antigüidade, erva forte de cozinha. Que eu não me incline à
auto-integridade e à autopiedade.
Que eu possa me aproximar dos altos trabalhos da terra
e dos círculos de pedra, como raposa ou mariposa, e não perturbar o lugar mais
que isso. Que meu olhar seja direto e minha mão firme.
Que minha porta se abra àqueles que habitam fora da riqueza, da fama e do privilégio. Que os que jamais andaram descalços não encontrem o caminho que chega à minha porta. Que se percam na jornada labiríntica. Que eles voltem.
Que eu me sente ao lado do fogo no inverno e veja as achas brilhando para o que vier, e nunca tenha necessidade de advertir ou aconselhar, sem que me peçam. Que eu possa ter um simples banco de madeira, com verdadeiro regozijo. Que o lugar onde habito seja como uma floresta.
Que haja caminhos e veredas para as cavernas e poços e árvores e
flores, animais e pássaros, todos conhecidos e por mim reverenciados com amor.
Que minha existência mude o mundo não mais nem menos do que o soprar do vento,
ou o orgulhoso crescer das árvores.
Por isso, eu jogo fora minha
roupa. Que eu possa conservar a fé, sempre. Que jamais encontre desculpas para o
oportunismo.
Que eu saiba que não tenho opção, e assim mesmo escolha como a
cantiga é feita, em alegria e com amor.
Que eu faça a mesma
escolha todos os dias, e de novo.
Quando falhar, que eu me conceda o perdão.
Que eu dance nua, sem medo de enfrentar meu próprio reflexo.
fadamiosotis creations